O futebol não pode se dar ao luxo de silenciar sobre o que estamos vivendo

O futebol não pode se dar ao luxo de silenciar sobre o que estamos vivendo

Diante do iminente caos social – com o desemprego chegando a 15%, o aumento vertiginoso da fome e as mortes diárias por um vírus para o qual já existe uma vacina – é hora dos clubes e da CBF se posicionarem.

E eu não estou mais falando sobre uma posição sobre se devo ou não parar os campeonatos. Estou falando de uma atitude ideológica. Ideologia, essa palavra tão abusada hoje, é fundamental. “Eu quero viver”, cantou Cazuza. Agora precisamos não apenas para viver, mas para continuar a existir e respirar.

Não é mais razoável que o futebol continue a ignorar a catástrofe social e de saúde em que nos encontramos.

Se acreditamos que este jogo é realmente uma das coisas mais importantes da vida, então a instituição precisa dar um passo adiante e de alguma forma realizar campanhas que conscientizem os torcedores da pandemia.

Pessoas mais influentes do que o comentarista e ex-jogador Casagrande precisa à parte.

Não se trata apenas de fornecer dados sobre infectados, mortos e vacinados antes dos jogos. Nem mesmo pedindo com voz doce por um delirante “ficar em casa”.

Ficar em qual casa? Muitos perguntam. Ficar em casa sem alívio adequado? Quão? Morando em uma casa de um quarto com outras seis pessoas? O mantra “fique em casa” não pode mais ser repetido sem a devida crítica social na sequência.

Precisamos mais do que essas coisas. O muro é lugar de covardes e, nas atuais circunstâncias, o muro favorece o fascismo e o genocídio promovidos pela política econômica do governo federal liderado por Paulo Guedes.

O genocídio que enfrentamos tem duas frentes: a comandada por Guedes, e a sanitária (e logo funeral), comandada por Jair Bolsonaro, o presidente que se recusa a traçar um plano federal de compra e distribuição de vacinas, o presidente que se recusou a compre vacinas da Pfizer, oferecidas há meses pelo farmacêutico, o cara que incentiva multidões que diz que não é preciso usar máscaras, que sofrer com a pandemia está simulando.

  Quais campeonatos passam no DAZN?

Não se deve mais permitir eticamente que um time como o Flamengo leve para sua casa o presidente que promove o genocídio, sob os golpes e os mimos, como fazia o clube antes de se tornar oito vezes campeão. Tal atitude não é mais aceitável, ou não deveria ser.

O que enfrentamos é a barbárie, que só está piorando.

Será que o nosso futebol conseguirá salvar um pouco do seu tamanho e se posicionar publicamente, seja coletivamente, seja através da CBF, seja através dos clubes.

Chega de covardia. Sem mais covardes. Não mais apagar os genocídios. Não há mais palavras que tocam no assunto. Vamos direto ao ponto: genocídio e genocídio estão chamando. Vamos nomear as coisas por seus nomes.

Não o fizemos durante a eleição de 2018, quando ficou claro que Jair Bolsonaro era um psicopata, e foi para onde foi: naturalizamos a candidatura de um possível assassino que nunca se recusou a festejar o corredor da morte que nele residia, demos o poder a ele em nome de uma contra-petição paranóica e ilusória – e quando um psicopata tem poder, ele não hesita quando tem a oportunidade de cometer genocídio.

Que o futebol brasileiro não deve perder a oportunidade de se colocar publicamente no lado certo da história. Imediatamente.